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Estudo CBR para projeto viário em Palmas: o que a norma exige e como interpretar os resultados

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A ABNT NBR 9895:2016 define os procedimentos para o Índice de Suporte Califórnia, mas em Palmas o engenheiro geotécnico enfrenta um desafio particular: os solos lateríticos que dominam a região central do Tocantins. Não basta compactar o corpo de prova na energia do projeto e rompê-lo na prensa. É preciso entender como o ciclo de molhagem e secagem — tão agressivo no cerrado palmense, com estiagens de quatro meses e chuvas torrenciais de verão — altera a expansibilidade do material. O ensaio CBR fornece dois números: a resistência à penetração e a expansão axial. O primeiro orienta a espessura do pavimento; o segundo pode inviabilizar a camada se ignorado. Em Palmas, com temperaturas que frequentemente ultrapassam 35°C e regime pluviométrico concentrado entre outubro e abril, a estabilidade volumétrica do subleito é tão crítica quanto a capacidade de carga. Os solos finos da formação Barreiras, comuns na cidade, apresentam comportamento laterítico que, quando bem interpretado, permite reduzir espessuras de base — mas exige confirmação laboratorial criteriosa.

Em Palmas, o CBR precisa ser lido junto com a expansão: um solo com CBR alto mas expansão acima de 2% pode trincar o pavimento flexível na primeira seca.

Abordagem e escopo

Uma obra de duplicação na Avenida Teotônio Segurado, um dos eixos viários mais movimentados de Palmas, ilustra bem a aplicação do ensaio CBR. O subleito escavado revelou um silte argiloso avermelhado, típico de solo laterítico maduro. Em campo, o material apresentava aparência granular e boa capacidade de suporte visual, mas a equipe técnica sabia que a classificação tátil-visual engana. Coletaram-se blocos indeformados e amostras para moldagem na umidade ótima da AASHTO, e os corpos de prova foram imersos por quatro dias. Os resultados mostraram CBR de 18% e expansão de apenas 0,3%. Com esses números, o dimensionamento pelo método do DNER pôde adotar uma estrutura mais enxuta, economizando base granular sem comprometer a vida útil do pavimento. O projeto ganhou agilidade e o contratante reduziu o volume de brita — tudo amparado por laudos assinados por engenheiro responsável, emitidos por laboratório acreditado conforme a ISO 17025, e que dialogavam diretamente com a classificação granulométrica das camadas inferiores.
Estudo CBR para projeto viário em Palmas: o que a norma exige e como interpretar os resultados
Imagem técnica de referência — Palmas

Considerações locais

O erro mais comum em projetos viários na região de Palmas é aprovar um subleito com base apenas no CBR sem avaliar a expansão. Um caso concreto ocorreu em um loteamento na região sul da cidade, próximo à Serra do Lajeado, onde um silte arenoso apresentou CBR de 22% — valor excelente à primeira vista. O projetista dispensou a substituição do material e dimensionou o pavimento com base nesse índice. Na primeira estação chuvosa, o solo expandiu 4,5% e o asfalto trincou em bloco, exigindo recapeamento completo em menos de dois anos. O laudo de imersão estava no relatório, mas ninguém leu com atenção. Outro erro recorrente é compactar o solo do subleito com umidade abaixo da ótima para acelerar a obra, o que infla artificialmente o CBR de campo e mascara o comportamento real do material quando saturado pelas chuvas. Em Palmas, onde o lençol freático pode subir rapidamente nas cabeceiras de drenagem, essa prática é especialmente perigosa.

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Dados técnicos

ParâmetroValor típico
Energia de compactaçãoProctor Normal ou Intermediário (ABNT NBR 7182)
Período de imersão96 horas com sobrecarga padrão (4,5 kg)
Velocidade de penetração1,27 mm/min (ABNT NBR 9895)
Leituras de penetração2,54 mm e 5,08 mm sobre pistão de 49,6 mm
Expansão máxima admissível≤ 2% para subleito em Palmas (solos lateríticos expansivos)
Índice CBR mínimo (subleito)≥ 6% (conforme IS-01 do DNIT, podendo chegar a 12% em vias arteriais)
Índice CBR para reforço do subleitoCBR maior que o subleito e expansão ≤ 1%
Índice CBR para base granular≥ 60% para N ≤ 5x10⁶ solicitações do eixo padrão

Serviços técnicos vinculados

01

Ensaio CBR com medição de expansão

Moldagem na energia especificada pelo projetista, imersão de 96 horas com leituras de expansão a cada 24h e ruptura na prensa. Relatório com curva pressão-penetração e cálculo do índice CBR para 2,54 mm e 5,08 mm.

02

Compactação Proctor Normal e Intermediário

Determinação da curva de compactação (umidade ótima e massa específica seca máxima) do solo local, seguindo a ABNT NBR 7182. Fundamental para orientar a fiscalização de campo na execução das camadas do pavimento.

03

Granulometria e limites de consistência

Classificação TRB e MCT do solo do subleito, com peneiramento, sedimentação e determinação dos limites de Atterberg (LL e LP). Essencial para correlacionar o CBR com a natureza do solo e validar o comportamento laterítico.

Normas de referência

ABNT NBR 9895:2016 — Solo — Índice de Suporte Califórnia (ISC) — Método de ensaio, ABNT NBR 7182:2016 — Solo — Ensaio de Compactação, DNIT 172/2016 — ME — Solos — Determinação do Índice de Suporte Califórnia, ABNT NBR 6459:2016 — Solo — Determinação do Limite de Liquidez

Perguntas comuns

Qual o custo de um ensaio CBR completo para pavimentação em Palmas?

O valor de um ensaio CBR para projeto viário na região de Palmas varia entre R$440 e R$810 por amostra, a depender se o pacote inclui compactação Proctor e caracterização completa com granulometria e limites de Atterberg. O custo sobe quando há necessidade de coleta de campo em áreas de difícil acesso, como as encostas próximas à Serra do Lajeado.

Em que tipo de solo o ensaio CBR é mais importante em Palmas?

Nos solos finos lateríticos da formação Barreiras, típicos de Palmas, o ensaio CBR é prioritário porque esses materiais podem apresentar boa resistência no estado seco, mas expansão significativa quando saturados. O ensaio com imersão revela o comportamento real do subleito sob a ação da água, evitando que um solo aparentemente competente trinque o pavimento após o período chuvoso.

Quanto tempo leva para obter o resultado de um ensaio CBR?

O prazo total gira em torno de 7 a 10 dias úteis. As etapas incluem secagem e preparação da amostra (1-2 dias), compactação e moldagem do corpo de prova (1 dia), imersão de 96 horas com leituras diárias de expansão e, por fim, a ruptura na prensa e elaboração do relatório técnico com as curvas e cálculos do índice CBR.

Localização e área de serviço

Atendemos projetos em Palmas e arredores.

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